Visão geral
Desenvolvi este laboratório com o objetivo de simular a implantação de um servidor Linux em um ambiente corporativo controlado. Todo o projeto foi executado em uma máquina virtual criada no Oracle VirtualBox, permitindo praticar virtualização, instalação de sistemas, configuração de rede, administração remota, hospedagem de aplicações web, banco de dados, segurança e estratégias de recuperação.
A máquina virtual utiliza o Ubuntu Server 24.04 LTS, com recursos dimensionados para um ambiente de estudos: aproximadamente 2 GB de memória RAM, 30 GB de armazenamento e adaptador de rede configurado em modo bridge.
Após a instalação, o servidor recebeu endereço IP fixo, feramentas administrativas e acesso remoto por SSH.
O resultado é uma infraestrutura funcional para hospedar o GLPI, sistema open source voltado ao gerenciamento de ativos, chamados e serviços de tecnologia da informação.
Objetivo do laboratório
O projeto foi criado para desenvolver e demonstrar conhecimentos práticos nas seguintes áreas:
- Provisionamento de máquinas virtuais;
- Instalação e administração do Ubuntu Server;
- Particionamento de discos para servidores;
- Configuração de endereço IP estático;
- Administração remota com OpenSSH;
- Configuração de firewall com UFW;
- Instalação de Apache, PHP e MariaDB;
- Administração de bancos de dados;
- Implantação do GLPI;
- Diagnóstico e resolução de falhas;
- Criação de snapshots e backups da máquina virtual;
- Inventário e documentação da infraestrutura.
Ambiente utilizado
| Componente | Tecnologia |
|---|---|
| Hipervisor | Oracle VM VirtualBox |
| Sistema operacional | Ubuntu Server 24.04 LTS |
| Memória da VM | 2 GB de RAM |
| Armazenamento | Disco virtual de 30 GB |
| Rede | Adaptador em modo bridge |
| Acesso remoto | OpenSSH Server |
| Firewall | UFW |
| Servidor web | Apache HTTP Server |
| Linguagem de backend | PHP |
| Banco de dados | MariaDB |
| Administração do banco | Terminal e phpMyAdmin |
| Aplicação principal | GLPI |
| Recuperação | Snapshot e exportação OVA |
| Documentação | Inventário técnico da infraestrutura |
Fluxo resumido de implantação

Organização do armazenamento
O disco virtual foi planejado com partições separadas para aumentar a organização, facilitar a administração e reduzir o impacto causado pelo crescimento descontrolado de arquivos.
A estrutura definida inclui partições específicas para inicialização, sistema operacional, dados dos usuários, logs, banco de dados, arquivos temporários e serviços web.
Também foi mantido espaço livre para futuras expansões.
| Ponto de montagem | Tamanho | Finalidade |
|---|---|---|
/boot |
512 MB | Arquivos necessários para a inicialização |
/ |
6 GB | Sistema operacional e aplicações |
/home |
5 GB | Diretórios e configurações dos usuários |
/var |
5 GB | Logs, banco de dados, cache e arquivos variáveis |
/tmp |
1 GB | Arquivos temporários |
swap |
2 GB | Memória virtual |
/srv |
2 GB | Arquivos relacionados aos serviços hospedados |
| Reserva | 8 GB | Expansão futura |
A separação de /var é especialmente relevante porque serviços como MariaDB, Apache e GLPI podem gerar logs, bancos de dados e arquivos que crescem com o uso. A partição /srv, por sua vez, ajuda a manter organizados os dados relacionados aos serviços oferecidos pelo servidor.
Etapas de implementação
1. Preparação da máquina virtual
Inicialmente, foi criada uma máquina virtual no VirtualBox e associada à imagem ISO do Ubuntu Server.
O adaptador de rede foi configurado em modo bridge para que a VM pudesse participar diretamente da rede local e ser acessada a partir de outras máquinas.
2. Instalação e configuração do Ubuntu Server
Após a instalação do sistema operacional, foram realizadas as atualizações de pacotes e instaladas ferramentas essenciais de administração, como curl, wget, vim, htop, net-tools, git e ufw.
Também foi configurado um endereço IP estático por meio do Netplan, garantindo que os serviços permanecessem disponíveis sempre no mesmo endereço da rede.
3. Administração remota com OpenSSH
O OpenSSH Server foi instalado para permitir a administração remota do servidor por meio de uma conexão criptografada.
Entre as configurações aplicadas estão:
- Inicialização automática do serviço;
- Validação do status com
systemctl; - Testes de conexão local e remota;
- Desabilitação do login direto como root;
- Liberação da porta utilizada pelo SSH no firewall.
A documentação também reforça que a regra de firewall deve ser criada antes da ativação do UFW, evitando a perda do acesso remoto.
4. Instalação do ambiente web
O servidor recebeu uma pilha de serviços formada por:
- Apache;
- PHP e suas extensões;
- MariaDB;
- phpMyAdmin.
A instalação foi validada por meio da página padrão do Apache, da verificação da versão do PHP e da criação temporária de uma página utilizando phpinfo().
O MariaDB foi configurado com remoção de usuários anônimos, exclusão do banco de testes, bloqueio do acesso remoto do usuário administrativo e recarga das tabelas de privilégios.
5. Configuração do banco de dados
Foi criado um banco de dados exclusivo para o GLPI, juntamente com um usuário específico para a aplicação.
Essa abordagem evita que o sistema utilize diretamente a conta administrativa do banco e aplica o princípio de separação de responsabilidades. O usuário da aplicação possui permissões apenas sobre o banco utilizado pelo GLPI.
A configuração também foi documentada por meio do phpMyAdmin, demonstrando tanto a administração via terminal quanto pela interface gráfica.
6. Implantação do GLPI
Após a preparação do ambiente, foram instaladas as extensões PHP exigidas pelo GLPI. Em seguida, o pacote da aplicação foi baixado, extraído no diretório do servidor web e recebeu as permissões necessárias para execução pelo Apache.
O processo incluiu:
- Validação das dependências do PHP;
- Criação do banco e do usuário;
- Download e extração do GLPI;
- Ajuste de propriedade e permissões;
- Configuração do Apache;
- Ativação do módulo de reescrita;
- Execução do instalador web;
- Alteração das credenciais iniciais;
- Remoção do diretório de instalação.
Essas etapas resultaram em uma instância funcional do GLPI acessível pela rede local.
7. Configuração do firewall
O UFW foi configurado com uma política restritiva, permitindo somente as portas necessárias para o funcionamento do laboratório.
Foram liberados o acesso administrativo via SSH e o tráfego HTTP para o Apache e o GLPI. Após cada alteração, o estado do firewall e as portas em escuta foram verificados.
Essa etapa demonstrou um conceito importante: o firewall não interrompe os serviços executados internamente, mas controla quais conexões externas podem alcançá-los.
8. Diagnóstico e resolução de problemas
Durante a configuração do phpMyAdmin, foi analisado o erro de autenticação 1698, relacionado ao método unix_socket utilizado pelo usuário administrativo do MariaDB. O laboratório documenta a investigação do plugin de autenticação, a consulta aos usuários do banco e os testes realizados após o ajuste.
Para uma implementação mais segura, o ideal é manter o usuário root restrito à administração local e utilizar contas administrativas ou de aplicação separadas para acessos pelo phpMyAdmin.
9. Recuperação e continuidade
Foram criados snapshots antes de mudanças importantes, como instalações, atualizações e alterações de configuração.
O snapshot permite retornar rapidamente a um estado anterior da VM, embora não substitua um backup independente.
Como estratégia adicional, a máquina virtual foi exportada para o formato OVA. Antes da exclusão da VM original, o arquivo exportado deve ser importado e validado, verificando:
- Inicialização do sistema;
- Integridade dos dados;
- Endereçamento de rede;
- Funcionamento do SSH;
- Funcionamento do Apache e do GLPI;
- Disponibilidade do banco de dados;
- Recursos de CPU, memória e disco.
Somente após essa validação o arquivo OVA pode ser considerado um backup funcional da máquina virtual.
Diagrama da arquitetura
Competências demonstradas
Este laboratório demonstra experiência prática em:
- Administração de sistemas Linux;
- Virtualização de servidores;
- Configuração de redes TCP/IP;
- Gerenciamento de serviços com
systemd; - Administração remota com SSH;
- Firewall e controle de portas;
- Implantação de servidores web;
- Gerenciamento de banco de dados;
- Hospedagem de aplicações open source;
- Diagnóstico de autenticação e permissões;
- Backup, restauração e continuidade;
- Inventário e documentação técnica.
Resultado do projeto
Ao final do laboratório, foi obtido um servidor Linux virtualizado, administrável remotamente e protegido por firewall, executando uma aplicação GLPI integrada ao Apache, PHP e MariaDB.
Além da implantação técnica, o projeto contempla documentação, inventário, resolução de falhas e procedimentos de recuperação. Dessa forma, o laboratório representa não apenas uma instalação funcional, mas uma simulação do ciclo de vida de um servidor utilizado em uma infraestrutura real de TI.
Referência de estudo: laboratório desenvolvido com base na série Servidores Linux na Prática, do professor Daniel Santos.
A implementação, os testes, a documentação e as adaptações apresentadas neste portfólio foram realizados por mim.

